B.B.
Baptista-Bastos publicou ontem, no DN, um magnífico testemunho. Colocou nas palavras justas o que é o sentimento generalizado de uma geração que deu tudo pela utopia. A geração que imaginou para Portugal um Maio de 68 que, começando antes, foi sendo sucessivamente adiado. E sobre o que resta desse sonho, neste Portugal pós-moderno.
"Quando há dias, no programa Livro Aberto de F.J.Viegas (NTV-Porto), repeti o que dissera, anteriormente, numa entrevista à revista Ler: "o meu mundo acabou", acrescentei que não havia amargura alguma nesta verificação de facto, mas um dado constitutivo da relação do tempo com a sociedade(...) O Muro, afinal era o pretexto da Esquerda e da Direita para acentuar as suas específicas circunstâncias (...) A partir de 1976 percebemos, os que perceberam, que o poder estava, de novo, nas mãos da classe média, cuja natureza medíocre atropelava as virtudes republicanas e tripudiava as esperanças colectivas. As reversões começaram a partir daí. (...)
Temos vivido de sobras? Em muitos casos, sim. Até do que sobrou dos sonhos. Todavia, a saudade desses tempos apenas significa que há uma história que transportamos e um orgulho que se não desmorona. De que saudades falarão, dentro de duas ou três décadas, os homens e as mulheres que têm agora 30 e 40 anos?. (...) Uma geração que limitou os seus desígnios a uma espécie de exclusão do outro, e que distinguiu, de um juízo valorativo, a definição puramente descritiva da categoria intelectual, é uma geração que a si mesma se despreza e se não toma a sério"...."
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
31 de agosto de 2003
30 de agosto de 2003
LONGE DAQUI
Ao ler alguns blogues em português escritos a milhares de quilómetros de Lisboa, sinto vontade de não estar aqui, neste momento. O contrário de quando estava longe e vivia sedento da minha língua; daquela fantasia modesta que faz de nós portugueses; saudades dos nossos Jerónimos do tamanho de Legos, mas rendilhados e feitos em memória de viagens que ainda hoje nos assombram. Lembro-me de ter sobrevoado o Índico, há uns anos atrás, enquanto por baixo rebentava uma tempestade violenta. Nessa altura pensei nos homens que 500 anos antes tinham passado por ali, abraçados a barquinhos de brincar, carrapatos sobre o dorso do bicho-oceano.
Esta noite, queria estar a amar o meu país de longe; de onde o pudesse ver por inteiro; de uma plataforma que reduzisse as pequenas maldades à sua condição de coisa-quase-nenhuma.
Se amanhã estivesse de volta, gostaria de partir esta noite para longe daqui.
Não sei se me percebem...
Ao ler alguns blogues em português escritos a milhares de quilómetros de Lisboa, sinto vontade de não estar aqui, neste momento. O contrário de quando estava longe e vivia sedento da minha língua; daquela fantasia modesta que faz de nós portugueses; saudades dos nossos Jerónimos do tamanho de Legos, mas rendilhados e feitos em memória de viagens que ainda hoje nos assombram. Lembro-me de ter sobrevoado o Índico, há uns anos atrás, enquanto por baixo rebentava uma tempestade violenta. Nessa altura pensei nos homens que 500 anos antes tinham passado por ali, abraçados a barquinhos de brincar, carrapatos sobre o dorso do bicho-oceano.
Esta noite, queria estar a amar o meu país de longe; de onde o pudesse ver por inteiro; de uma plataforma que reduzisse as pequenas maldades à sua condição de coisa-quase-nenhuma.
Se amanhã estivesse de volta, gostaria de partir esta noite para longe daqui.
Não sei se me percebem...
AS ZULMIRAS
Nunca se chamam assim. Chamam-se Carlas Vanessas ou Rubens Filipes ou coisa assim... e odeiam. Odeiam os pais que lhes deram um nome que começa pela última letra do alfabeto, ainda que não seja exactamente assim e mesmo que fosse, do fim da fila avistam-se coisas que os primeiros nunca verão. O "Z" morde-lhes no estômago como uma injustiça. Não suportam que ninguém saiba quem "elas" são; que os seus esforços artísticos não sejam mais apreciados que uma cagadela de mosca; que a sua ausência de beleza e de talento as lance irremediavelmente para os últimos lugares de tudo. As "zulmiras" quando são homens, atiram pedras, escondidos atrás de árvores ou de carros estacionados; atrás das coisas que nunca irão a lado nenhum. Quando são mulheres, atiram calúnias, frases cheias de subentendidos; manobram na sombra até que todos odeiem os seus alvos tanto como elas. Nunca dizem alto o nome. Nunca mostram o que sentem, a não ser aos seus "amigos", que são forçados a aturar-lhes as vulvas secas e as mãos com calos em sítios precisos, em longos telefonemas, a horas impróprias. As "zulmiras" não produzem: destroem. Matam a beleza com o seu medo do escuro. As "zulmiras" são seres patéticos que vão morrer como todos nós.
A única diferença é que morrerão sozinhas.
Nunca se chamam assim. Chamam-se Carlas Vanessas ou Rubens Filipes ou coisa assim... e odeiam. Odeiam os pais que lhes deram um nome que começa pela última letra do alfabeto, ainda que não seja exactamente assim e mesmo que fosse, do fim da fila avistam-se coisas que os primeiros nunca verão. O "Z" morde-lhes no estômago como uma injustiça. Não suportam que ninguém saiba quem "elas" são; que os seus esforços artísticos não sejam mais apreciados que uma cagadela de mosca; que a sua ausência de beleza e de talento as lance irremediavelmente para os últimos lugares de tudo. As "zulmiras" quando são homens, atiram pedras, escondidos atrás de árvores ou de carros estacionados; atrás das coisas que nunca irão a lado nenhum. Quando são mulheres, atiram calúnias, frases cheias de subentendidos; manobram na sombra até que todos odeiem os seus alvos tanto como elas. Nunca dizem alto o nome. Nunca mostram o que sentem, a não ser aos seus "amigos", que são forçados a aturar-lhes as vulvas secas e as mãos com calos em sítios precisos, em longos telefonemas, a horas impróprias. As "zulmiras" não produzem: destroem. Matam a beleza com o seu medo do escuro. As "zulmiras" são seres patéticos que vão morrer como todos nós.
A única diferença é que morrerão sozinhas.
AINDA OS ESTÁDIOS...
Ao assistir aos campeonatos mundiais de atletismo, nomeadamente à entrada dos atletas no Stade de France, lembrei-me, subitamente que ainda não vi nenhuma pista de tartã nos estádios construídos com a desculpa do Europeu. Como uma boa parte foi financiada com o erário público, e estando certo que os governos acautelaram com esse investimento o desenvolvimento de outras modalidades nestes espaços, estou curioso para ver o resultado. Não tarda nada veremos os nossos atletas a competir nas belas pistas que, estou certo, rodearão os estádios... Ou pelo menos alguns deles... Não?!...
Ao assistir aos campeonatos mundiais de atletismo, nomeadamente à entrada dos atletas no Stade de France, lembrei-me, subitamente que ainda não vi nenhuma pista de tartã nos estádios construídos com a desculpa do Europeu. Como uma boa parte foi financiada com o erário público, e estando certo que os governos acautelaram com esse investimento o desenvolvimento de outras modalidades nestes espaços, estou curioso para ver o resultado. Não tarda nada veremos os nossos atletas a competir nas belas pistas que, estou certo, rodearão os estádios... Ou pelo menos alguns deles... Não?!...
O DRAMA DA CEGUINHA, AGORA NO MASCULINO E EM BLOGUE!
Não sei se foi contágio da Sofia Alves ou da sua cadela amestrada, da bengala, ou da malinha debaixo do braço, mas não vejo os comentários. Diz-me a caixa de correio que muita gente comentou os posts. Gostava de ver. Mas, de momento, está difícil... As respostas seguem dentro de momentos.
Não sei se foi contágio da Sofia Alves ou da sua cadela amestrada, da bengala, ou da malinha debaixo do braço, mas não vejo os comentários. Diz-me a caixa de correio que muita gente comentou os posts. Gostava de ver. Mas, de momento, está difícil... As respostas seguem dentro de momentos.
29 de agosto de 2003
SOLTAR O GRITO AMORDAÇADO DA BUCETA!
Por baixo deste título, estava uma brincadeira inconsequente, sobre a... enérgica (e nada tendenciosa) crítica de M.Teresa Horta. Referia-se expressamente ao tom e ao critério de selecção das obras que a escritora e jornalista (em todo o seu direito) selecciona para os seus trabalhos de crítica literária. Não havia uma palavra referente à obra. Não conheço (tirando alguns poemas) EM CONCRETO, o seu trabalho literário. Acredito que seja excelente. Da mesma maneira que acredito que é útil que, de vez em quando, algumas mulheres venham lembrar que ainda há coisas a acertar no plano da igualdade.
Uma criatura que de vez em quando por aqui rasteja procurou deturpar com os seus comentários, o meu post. Se não fosse anónima e transpirasse veneno , eu teria todo o gosto em lhe responder por email . Como não sei o endereço da toca em que se acoita, fica aqui a resposta.
Por baixo deste título, estava uma brincadeira inconsequente, sobre a... enérgica (e nada tendenciosa) crítica de M.Teresa Horta. Referia-se expressamente ao tom e ao critério de selecção das obras que a escritora e jornalista (em todo o seu direito) selecciona para os seus trabalhos de crítica literária. Não havia uma palavra referente à obra. Não conheço (tirando alguns poemas) EM CONCRETO, o seu trabalho literário. Acredito que seja excelente. Da mesma maneira que acredito que é útil que, de vez em quando, algumas mulheres venham lembrar que ainda há coisas a acertar no plano da igualdade.
Uma criatura que de vez em quando por aqui rasteja procurou deturpar com os seus comentários, o meu post. Se não fosse anónima e transpirasse veneno , eu teria todo o gosto em lhe responder por email . Como não sei o endereço da toca em que se acoita, fica aqui a resposta.
BLOGGING AROUND
No achoeu escreve-se com uma enganosa simplicidade sobre a praia e sobre o fim do Verão. Com aquela forma tranquila que os aspirantes a escritor desprezam frequentemente e que contém tudo o que deveria conter. Parabéns.
Em oteuumbigo, a coisa fia mais fino:) Quem disse que o pastiche era fácil que vá lá ver. A neo-literatura e os colunistas enraizados que se cuidem...
No achoeu escreve-se com uma enganosa simplicidade sobre a praia e sobre o fim do Verão. Com aquela forma tranquila que os aspirantes a escritor desprezam frequentemente e que contém tudo o que deveria conter. Parabéns.
Em oteuumbigo, a coisa fia mais fino:) Quem disse que o pastiche era fácil que vá lá ver. A neo-literatura e os colunistas enraizados que se cuidem...
E POR FALAR EM LABORATÓRIOS....
Enquanto estava de férias, passei por uma televisão, onde me pareceu ver o chefe da Ordem dos Médicos, o mesmo que tinha vindo lançar perdigotos irados, há uns meses atrás, quando se levantou a suspeita (permitam-me que me ria durante alguns momentos... É que a palavra "suspeita" tem ocasiões em que é ridiculamente hipócrita...) de que muitos médicos teriam ligações... por assim dizer "viajadas" com os laboratórios. Foi confusão minha, por certo, mas pareceu-me ver o senhor de orelha murcha a comentar a notícia que teriam sido levantados 500 processos? Ná... devo estar enganado...
Enquanto estava de férias, passei por uma televisão, onde me pareceu ver o chefe da Ordem dos Médicos, o mesmo que tinha vindo lançar perdigotos irados, há uns meses atrás, quando se levantou a suspeita (permitam-me que me ria durante alguns momentos... É que a palavra "suspeita" tem ocasiões em que é ridiculamente hipócrita...) de que muitos médicos teriam ligações... por assim dizer "viajadas" com os laboratórios. Foi confusão minha, por certo, mas pareceu-me ver o senhor de orelha murcha a comentar a notícia que teriam sido levantados 500 processos? Ná... devo estar enganado...
NÃO GASTASSEM TANTO EM ARGOLAS PRÓ PESCOÇO!
A Organização Mundial de Saúde conseguiu travar o processo de venda de genéricos aos países pobres.
O porta-voz da OMC, Keith Rockwell, declarou que "Precisariam de mais tempo". Fica assim suspenso o acordo a que tinham chegado anteontem EUA e Brasil, Índia, África do Sul e Quénia e que necessitava da ratificação do conselho geral. A razão apontada foi da ordem da "má interpretação" que alguns países estavam a fazer do referido acordo. Lembre-se, a título de curiosidade, que este processo é o culminar de um braço-de-ferro promovido pela indústria farmacêutica norte-americana (certamente, entre outras).
Compreende-se que os laboratórios usem de todos os seus meios para deterem esta fuga de receitas. Afinal, quem não tem dinheiro não tem vícios. E a morte por doença é um dos mais perigosos da Terra.
A Organização Mundial de Saúde conseguiu travar o processo de venda de genéricos aos países pobres.
O porta-voz da OMC, Keith Rockwell, declarou que "Precisariam de mais tempo". Fica assim suspenso o acordo a que tinham chegado anteontem EUA e Brasil, Índia, África do Sul e Quénia e que necessitava da ratificação do conselho geral. A razão apontada foi da ordem da "má interpretação" que alguns países estavam a fazer do referido acordo. Lembre-se, a título de curiosidade, que este processo é o culminar de um braço-de-ferro promovido pela indústria farmacêutica norte-americana (certamente, entre outras).
Compreende-se que os laboratórios usem de todos os seus meios para deterem esta fuga de receitas. Afinal, quem não tem dinheiro não tem vícios. E a morte por doença é um dos mais perigosos da Terra.
28 de agosto de 2003
WELCOME TO WORDLAND
Percebi, subitamente. Estava numa biblioteca. A blogosfera portuguesa transformou-se numa gigantesca biblioteca. Começa a ter-se aquela sensação de vertigem perante tantos títulos desconhecidos; perante a possibilidade de ler tantas opiniões, vindas de pessoas tão diversas.
Acabou-se o feudo, vem aí a democracia, com as suas alegrias e perversidades. Os hiper-selectivos serão capazes de torcer o nariz e fugir sem ouvir o que se está a dizer. Mas alguém curioso e que goste de ouvir (como eu) está nas suas Sete Quintas. Bem-vinda a pluralidade de visões!
Percebi, subitamente. Estava numa biblioteca. A blogosfera portuguesa transformou-se numa gigantesca biblioteca. Começa a ter-se aquela sensação de vertigem perante tantos títulos desconhecidos; perante a possibilidade de ler tantas opiniões, vindas de pessoas tão diversas.
Acabou-se o feudo, vem aí a democracia, com as suas alegrias e perversidades. Os hiper-selectivos serão capazes de torcer o nariz e fugir sem ouvir o que se está a dizer. Mas alguém curioso e que goste de ouvir (como eu) está nas suas Sete Quintas. Bem-vinda a pluralidade de visões!
BAROSCÓPIO
Abro o dicionário à toa e descubro a palavra "Baroscópio": Instrumento semelhante a uma balança, que serve para demonstrar que os gases exercem impulsão sobre os corpos que neles estão mergulhados".
Quando éramos putos, interrompíamos muitas vezes as brincadeiras e fugíamos dos espaços fechados a rir por causa da demonstração dessa teoria. Mas era uma coisa muito empírica...
Abro o dicionário à toa e descubro a palavra "Baroscópio": Instrumento semelhante a uma balança, que serve para demonstrar que os gases exercem impulsão sobre os corpos que neles estão mergulhados".
Quando éramos putos, interrompíamos muitas vezes as brincadeiras e fugíamos dos espaços fechados a rir por causa da demonstração dessa teoria. Mas era uma coisa muito empírica...
ACORDAR ASSARAPANTADO
Depois de ter trabalhado até o sol nascer cinzento e húmido, enviado o fruto via email e dormido algumas horas, um homem pensa que tem direito a um pequeno-almoço mais que tardio, descansado. Talvez até, deitando o olho ao televisor. O que uma pessoa não sabe é que todos os dias de semana, o Malato, a Merche e outra que nem me lembro o nome, estão à nossa espera como um pesadelo alourado, na televisão pública. Depois de 3 minutos de insânia tive que ir buscar o Flaubert para me certificar que é possível sobreviver.
"Pendant que les Barbares, incertains, délibéraient, Le Suffète augmentait ses défenses: il fit creuser en deçà des palissades un second fossé, élever une seconde muraille, construire aux angles des tours de bois; et ses esclaves allaient jusqu'au milieu des avant-postes enfoncer les chausse-trappes dans la terre..." (in SALAMMBÔ)
Depois de ter trabalhado até o sol nascer cinzento e húmido, enviado o fruto via email e dormido algumas horas, um homem pensa que tem direito a um pequeno-almoço mais que tardio, descansado. Talvez até, deitando o olho ao televisor. O que uma pessoa não sabe é que todos os dias de semana, o Malato, a Merche e outra que nem me lembro o nome, estão à nossa espera como um pesadelo alourado, na televisão pública. Depois de 3 minutos de insânia tive que ir buscar o Flaubert para me certificar que é possível sobreviver.
"Pendant que les Barbares, incertains, délibéraient, Le Suffète augmentait ses défenses: il fit creuser en deçà des palissades un second fossé, élever une seconde muraille, construire aux angles des tours de bois; et ses esclaves allaient jusqu'au milieu des avant-postes enfoncer les chausse-trappes dans la terre..." (in SALAMMBÔ)
27 de agosto de 2003
ALGARVE EM FIM DE VERÃO
No meio de tanta desgraça, vale a pena mudar de ares e dar um salto ao Jaquinzinhos e ver a magnífica fotografia que o seu tutor tirou na Praia do Barril. Só não me meto no carro, em direcção à Ria Formosa, porque já é de noite :)
No meio de tanta desgraça, vale a pena mudar de ares e dar um salto ao Jaquinzinhos e ver a magnífica fotografia que o seu tutor tirou na Praia do Barril. Só não me meto no carro, em direcção à Ria Formosa, porque já é de noite :)
E POR FALAR EM QUEM NÃO FAZ NENHUM...
Alguém sabe para que servem as/os "contínuas/os" das escolas, actualmente designados com a eufemística e por certo errónea expressão "auxiliares de acção educativa"? Os testemunhos que me chegam são unânimes: são inúmeros e não servem para nada. Há escolas básicas e secundárias a debater-se com dificuldades orçamentais graves, mas que se dão ao luxo de manter 40, 50 e por vezes mais funcionários que não limpam, não vigiam e não ajudam em nada o corpo docente. Não é de hoje a imagem da empregada a fazer renda sentada, enquanto o professor dá aulas numa sala suja. Por incrível que pareça existem escolas, muitas, em que são contratadas EMPRESAS DE LIMPEZA, porque as/os "auxiliares" julgam não fazer parte das suas atribuições o asseio das edifícios.
Eu vivi num país, em que cada escola secundária tinha no máximo, 4 ou 5 funcionários de manutenção e limpeza, por vezes, apenas UM. Os alunos eram responsabilizados pelos seus desvarios de aporcalhamento, é certo, mas de resto, aquele pequeno número de funcionários mantinha tudo limpo, desinfectado e a funcionar. Não me digam que 10 ou 20 pessoas formadas e responsabilizadas não dariam conta de uma escola portuguesa?!!
Não haverá ninguém que corra estas criaturas que julgam ter apenas direitos e nenhuns deveres à vassourada?
Alguém sabe para que servem as/os "contínuas/os" das escolas, actualmente designados com a eufemística e por certo errónea expressão "auxiliares de acção educativa"? Os testemunhos que me chegam são unânimes: são inúmeros e não servem para nada. Há escolas básicas e secundárias a debater-se com dificuldades orçamentais graves, mas que se dão ao luxo de manter 40, 50 e por vezes mais funcionários que não limpam, não vigiam e não ajudam em nada o corpo docente. Não é de hoje a imagem da empregada a fazer renda sentada, enquanto o professor dá aulas numa sala suja. Por incrível que pareça existem escolas, muitas, em que são contratadas EMPRESAS DE LIMPEZA, porque as/os "auxiliares" julgam não fazer parte das suas atribuições o asseio das edifícios.
Eu vivi num país, em que cada escola secundária tinha no máximo, 4 ou 5 funcionários de manutenção e limpeza, por vezes, apenas UM. Os alunos eram responsabilizados pelos seus desvarios de aporcalhamento, é certo, mas de resto, aquele pequeno número de funcionários mantinha tudo limpo, desinfectado e a funcionar. Não me digam que 10 ou 20 pessoas formadas e responsabilizadas não dariam conta de uma escola portuguesa?!!
Não haverá ninguém que corra estas criaturas que julgam ter apenas direitos e nenhuns deveres à vassourada?
Álvaro de Campos e Carlos D. de Andrade visitam o Silêncio, com o majestoso volume da sua eternidade anunciada.
"Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti..."
A.C.
"Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti..."
A.C.
FAIRY TOOTH
A Teresa Guilherme afirma que o país anda numa excitação com o início de mais um Bigbreda. Aparentemente, ninguém está interessado em saber quem são os concorrentes, mas sim em a ouvir dizer novamente "Isso, agora, não interessa nada!".
O que só vem dar razão à ideia inicial de José E. Moniz de fazer o programa só com porcos e coelhos, para aumentar o nojo da coisa e as cenas de sexo. Desde que a Teresa dissesse para o écran de plasma: "Ora então Bunny-Bumba, diga lá o que é que queria mesmo dizer com aquele estremecer de narinas diante do retrato da Fernanda Serrano?", as audiências manter-se-iam.
A Teresa Guilherme afirma que o país anda numa excitação com o início de mais um Bigbreda. Aparentemente, ninguém está interessado em saber quem são os concorrentes, mas sim em a ouvir dizer novamente "Isso, agora, não interessa nada!".
O que só vem dar razão à ideia inicial de José E. Moniz de fazer o programa só com porcos e coelhos, para aumentar o nojo da coisa e as cenas de sexo. Desde que a Teresa dissesse para o écran de plasma: "Ora então Bunny-Bumba, diga lá o que é que queria mesmo dizer com aquele estremecer de narinas diante do retrato da Fernanda Serrano?", as audiências manter-se-iam.
SEJAMOS INDULGENTES
Eu sei que não se pode olhar as acções do passado com os olhos dos nossos dias, mas mesmo assim é sempre um fascínio espreitar a maneira como a Igreja Católica se foi mantendo.
A Taxa Camarae era um tarifário promulgado pelo papa Leão X (1517-1521), destinado a vender indulgências (perdão de culpas). Basicamente não havia nada que não pudesse ser perdoado... desde que a bolsa o permitisse. São 35 artigos que cobrem tudo o que uma mente eclesiástica podia pensar como pecado. E, desde já, aviso que não saía barato pecar, nesses tempos (agora, com as indeminizações, a coisa também anda pela hora da morte, mas enfim...). Cito apenas alguns desses artigos, a título de exemplo:
"1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas (...) será absolvido mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2.Se o eclesiástico, além do pecado da fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou bestialidade, deve pagar 219 libras e 15 soldos. Mas se tive apenas cometido pecado contra a natureza com criança ou com animais e não com mulheres, pagará unicamente 131 libras e 15 soldos.
(...)9. A absolvição de um simples assassínio cometido na pessoa de um leigo é fixada em 15 libras, 4 soldos 3 3 dinheiros.
10. Se o assasino tiver morto um ou mais homens no mesmo dia, pagará como se tivesse apena assassinado um.(...)
13. A mulher que destruir o filho que traz nas entranhas, assim como o pai que tiver contribuído para a perpretação do crime, pagarão cada um 17 libras e 15 soldos. Quem facilitar o aborto de uma criatura que não seja seu filho pagará menos 1 libra.(...)
18. Quem quiser comprar antecipadamente a absolvição por todo e qualquer homicídio acidental que venha a cometer no futuro. terá de pagar 168 libras e 15 soldos..."
Estas e outras curiosidades históricas encontram-se profusamente ilustradas no livro de Pepe Rodriguez "Mentiras fundamentales de la iglesia catolica" (há uma edição portuguesa pela Terramar).
Eu sei que não se pode olhar as acções do passado com os olhos dos nossos dias, mas mesmo assim é sempre um fascínio espreitar a maneira como a Igreja Católica se foi mantendo.
A Taxa Camarae era um tarifário promulgado pelo papa Leão X (1517-1521), destinado a vender indulgências (perdão de culpas). Basicamente não havia nada que não pudesse ser perdoado... desde que a bolsa o permitisse. São 35 artigos que cobrem tudo o que uma mente eclesiástica podia pensar como pecado. E, desde já, aviso que não saía barato pecar, nesses tempos (agora, com as indeminizações, a coisa também anda pela hora da morte, mas enfim...). Cito apenas alguns desses artigos, a título de exemplo:
"1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas (...) será absolvido mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2.Se o eclesiástico, além do pecado da fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou bestialidade, deve pagar 219 libras e 15 soldos. Mas se tive apenas cometido pecado contra a natureza com criança ou com animais e não com mulheres, pagará unicamente 131 libras e 15 soldos.
(...)9. A absolvição de um simples assassínio cometido na pessoa de um leigo é fixada em 15 libras, 4 soldos 3 3 dinheiros.
10. Se o assasino tiver morto um ou mais homens no mesmo dia, pagará como se tivesse apena assassinado um.(...)
13. A mulher que destruir o filho que traz nas entranhas, assim como o pai que tiver contribuído para a perpretação do crime, pagarão cada um 17 libras e 15 soldos. Quem facilitar o aborto de uma criatura que não seja seu filho pagará menos 1 libra.(...)
18. Quem quiser comprar antecipadamente a absolvição por todo e qualquer homicídio acidental que venha a cometer no futuro. terá de pagar 168 libras e 15 soldos..."
Estas e outras curiosidades históricas encontram-se profusamente ilustradas no livro de Pepe Rodriguez "Mentiras fundamentales de la iglesia catolica" (há uma edição portuguesa pela Terramar).
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